presença, poder e o que falta entre os dois
Talvez a mulher mais política que você conhece nunca tenha pisado numa câmara municipal. Ela organiza a reunião de pais, segura o mutirão da rua, articula vizinhança, mas dificilmente aparece quando alguém fala “liderança”.
Nesta edição, a gente parte desse deslocamento. Na união, entra no universo de Nina Horikawa, que pinta cenas ordinárias em que nada é tão simples quanto parece — nem a ternura, nem o silêncio. A gente segue para o texto da Marjorie Lynn, que desmonta a frase “faltam mulheres na política” e propõe outra chave de leitura: o problema não é ausência, é onde escolhemos enxergar poder. E chega ao Elas no Poder, organização que transforma esse diagnóstico em ação concreta, formando meninas e mulheres para ocupar — com método, rede e recurso — os espaços de decisão que ainda insistem em tratá-las como exceção.
Se você anda vendo muita liderança feminina ao seu redor e pouca nos lugares onde as regras são escritas, esta edição é um bom lugar para começar a alinhar essas duas imagens.
união:
Entrevista com Nina Horikawa
Nina Horikawa pinta cenas ordinárias que parecem familiares até você parar para olhar. Então algo muda. Um gesto que poderia ser ternura também pode ser tensão. Uma luz sobre uma parede diz mais do que estava previsto. Essa ambiguidade — entre o íntimo e o estranho, entre o que está explícito e o que fica suspenso — é o que organiza o trabalho dela.
Nasceu em São Paulo, passou anos em Belo Horizonte, voltou. Exposições no MAC USP, AM Galeria e na Ricardo Von Brusky. Ilustrações pela Antofágica — incluindo Persuasão, de Jane Austen. Indicada do PIPA. Uma lista de títulos que às vezes ganha publicação só dois anos depois de a tela estar pronta.
Conversamos com Nina sobre o que Minas Gerais abriu no olhar dela, sobre aprender a escutar a pintura e sobre transitar por um mercado de arte que ela mesma descreve como fechado e elitista.
Um trecho para começar:
Você nasceu em São Paulo, mas viveu anos em Belo Horizonte. Onde essa travessia entre cidades aparece nas imagens que você faz hoje?
“A resposta está numa sutileza — não é direta. Mas Minas Gerais certamente me deu um acesso diferente à produção cultural: música, literatura, artes visuais. A produção de lá é absurda, muito rica.
Além disso, sair de São Paulo foi essencial para mim. Eu nasci e cresci aqui, não viajava muito, não tinha referências para além daqui. Tem uma arrogância muito paulistana de achar que é o centro do mundo. Ir para Minas abriu muito minha visão. (...) Acho que o que aconteceu foi um encontro entre coisas que eu já tinha comigo e essa paisagem e cultura. Onde reverberou foi numa certa afetividade, num certo carinho — mas também numa certa melancolia.”
A entrevista completa, com mais oito perguntas sobre processo, mercado de arte e referências, está disponível em nosbr.org.
Vale seguir o trabalho de Nina pelo @ninahorikawa
indicações culturais
Para continuar explorando outras narrativas, aqui estão indicações para maio:
🎨 Artes Visuais: Laudelina de Campos Mello — IMS Paulista
A exposição no IMS conta a história de Laudelina de Campos Mello, pioneira na organização das trabalhadoras domésticas no Brasil, articulando luta por direitos trabalhistas, antirracismo e memória negra. Fotografias, vídeos, documentos de época e obras de artistas como Maria Auxiliadora, Rosana Paulino, Emicida, Mulambö e Gê Viana constroem uma linha do tempo que ajuda a entender por que a pauta do trabalho doméstico é central quando falamos de democracia.
📖 Leitura: Entrevistas de Susan Sontag para a Rolling Stone
Um dos livros de cabeceira da Nina é o compilado de entrevistas que Susan Sontag concedeu à Rolling Stone, publicado em formato de livro. É um mergulho em bastidores de pensamento: em vez de ensaios fechados, conversas longas em que Sontag comenta seus próprios textos, desmonta ideias e revela processos — leitura ideal para quem gosta de ver como conceitos nascem, mudam e se contradizem ao longo do tempo.
🎵 Cinema: Democracia em disputa no Prêmio Platino
Dois documentários em destaque no Prêmio Platino deste ano colocam a democracia latino-americana sob exame: Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, sobre a influência da religião evangélica na política brasileira e a ascensão e queda do governo Bolsonaro, e Sob as bandeiras, o Sol, de Juanjo Pereira, sobre a ditadura no Paraguai. Assistir aos dois em sequência é quase uma aula prática sobre como religião, memória e autoritarismo seguem disputando o projeto de país em 2026.
organização, por Marjorie Lynn:
Não estamos no poder, mas estamos na política
A baixa presença em cargos eletivos contrasta com a forte atuação feminina em espaços comunitários. A diferença revela os limites da forma como reconhecemos o poder.
Foto: Rovena Rosa
Costumamos ouvir, quase como um consenso, que faltam mulheres na política. Os números estão aí para comprovar: somos maioria da população, maioria do eleitorado, mas seguimos sendo minoria nos espaços institucionais de poder.
Só que, quanto mais eu escuto essa afirmação, mais ela me parece incompleta. Não necessariamente errada, mas limitada. Porque ela depende de uma ideia muito específica do que é política. E talvez seja justamente aí que está o problema.
Essa dúvida não começou para mim na teoria. Começou na prática. Durante quase quatro anos, coordenei projetos de impacto social e educação cidadã no governo de Goiás. Eram projetos públicos, gratuitos, abertos para toda e qualquer pessoa interessada em participar mais da vida pública.
E havia algo que se repetia todo ano, sem falhar. A maioria absoluta das pessoas que se inscreviam eram mulheres. Não era uma diferença pequena, era algo consistente, visível. A cada ano, cerca de 60% a 70% das pessoas interessadas nas formações cidadãs eram do público feminino. Enquanto o discurso público dizia que participamos menos da política, eu estava vendo mulheres querendo participar, se engajar e aprender.
Aquilo começou a me gerar uma inquietação real. Se elas estavam ali, interessadas, disponíveis, por que não estavam ocupando os espaços de poder que a gente costuma olhar? O que estava acontecendo no meio do caminho? Foi essa pergunta que me levou a iniciar um mestrado em comportamento político. E, ao longo da pesquisa, fui entendendo que talvez a questão não fosse ausência, mas sim deslocamento.
Existe um conceito na ciência política que ajuda a entender esse paradoxo. O alemão Christian Welzel argumenta que a ausência de três tipos de recursos – materiais, cognitivos e conectivos – produz um ciclo de desempoderamento que limita, e muitas vezes exclui, indivíduos da participação política.
Dito de forma menos acadêmica, a ideia é simples: para entrar na política institucional, é preciso ter recursos. Dinheiro, tempo, educação e redes de contato fazem toda a diferença. Quando um ou mais desses elementos faltam, participar do jogo deixa de ser apenas difícil e passa a ser, em muitos casos, quase impossível.
Basta olhar para a composição do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das prefeituras pelo país para perceber que esses recursos estão longe de ser distribuídos de forma igual. No Brasil, mulheres, e especialmente mulheres negras, indígenas, periféricas e LGBTQIAP+, enfrentam restrições em todos esses aspectos, o que ajuda a explicar por que o acesso aos espaços institucionais de poder continua sendo tão desigual.
Mas, para mim, o mais interessante não foi só entender o bloqueio. Foi perceber o que acontece depois dele.
Porque essas lideranças não desaparecem. Elas encontram outros caminhos.
E é aí que entra uma coisa que a gente fala menos do que deveria. Existe uma política acontecendo fora das instituições o tempo inteiro. Ela está nas associações de bairro, nos coletivos, nas organizações sociais, nas redes comunitárias. E, nesses espaços, as mulheres estão muito presentes, e muitas vezes liderando.
A ativista e ex-vereadora Eni Fernandes tem uma frase que resume isso muito bem: “Não estamos no poder, mas estamos na política”. Essa frase, apesar de me gerar um aperto no peito, é poderosa porque desloca o foco. Mostra que a política não começa nem termina no parlamento. A política começa na base, no dia a dia.
Muitas mulheres se reconhecem como agentes políticas a partir do cotidiano, resolvendo problemas concretos, organizando a comunidade, lutando por escola, por segurança, por acesso a serviços básicos. Isso é política, mesmo que não receba esse nome nos jornais.
E tem um ponto importante aqui. Em muitos casos, especialmente nas periferias, são mulheres que estão na linha de frente dessa organização. Elas articulam redes, mobilizam pessoas, sustentam iniciativas que fazem a vida coletiva funcionar. O cuidado, que sempre foi colocado como responsabilidade privada das mulheres, acaba sendo levado para o espaço público, virando também uma forma de atuação política.
Ao mesmo tempo, quando olhamos para a política institucional, essas mesmas mulheres encontram um ambiente absolutamente hostil à sua existência. Existem barreiras que vão desde a falta de financiamento até violência política, ataques e deslegitimação. A política ainda é, em muitos sentidos, percebida como um espaço masculino, mesmo que as bases que a estruturem sejam repletas de lideranças femininas potentes em seus contextos locais.
Temos aqui o que me permito chamar de “paradoxo da presença sem poder”. Mulheres participam, e participam muito. Mas participam em espaços que a gente não reconhece como centro do poder. E talvez esse seja o ponto mais importante. Não é só uma questão de acesso. É também uma questão de reconhecimento.
Quando dizemos que há poucas mulheres na política, falamos de um tipo específico de política, a institucional. E, nesse recorte, a afirmação está correta. Mas, quando ampliamos o olhar, a imagem muda bastante. As mulheres não estão afastadas da política. Elas estão profundamente envolvidas, só que em espaços que historicamente foram tratados como secundários, como se fossem menos políticos.
Isso não significa que a representação institucional não importa. Importa muito, e seguiremos lutando por mais espaços no poder formal. Mas talvez o debate precise começar de outro lugar. Em vez de tratar mulheres como ausência, reconhecer onde elas já estão e o que já estão fazendo pode, inclusive, ampliar a percepção coletiva de que existem muitas lideranças femininas com plena capacidade de ocupar os espaços formais que ainda lhes são negados.
Talvez a pergunta mais interessante hoje não seja apenas por que há poucas mulheres na política, mas por que a gente insiste em definir política de um jeito tão estreito, quase careta, eu diria. Porque, quando a percepção do que é política muda, a resposta muda junto. E, quando a resposta muda, fica difícil sustentar a ideia de ausência. As mulheres nunca estiveram fora da política. Elas sempre estiveram presentes.
O que falta não é participação.
É reconhecimento, acesso e abertura.
Ampliar o olhar para as mulheres que já lideram ao nosso redor não é só um exercício de percepção. É, talvez, o primeiro passo para mudar a realidade que a gente insiste em descrever como falta.
Referências Bibliográficas
GROSSI, Miriam Pillar; MIGUEL, Sônia Malheiros. Transformando a diferença: as mulheres na política. Revista Estudos Feministas, v. 9, n. 1, p. 167–206, 2001.
WELZEL, Christian. Freedom rising: human empowerment and the quest for emancipation. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.
SANTOS, Marjorie Lynn Nogueira; BUENO, Ana Carolina. Onde elas estão? O ciclo de desempoderamento das mulheres negras na política. In: 6º Simpósio Internacional da Escola de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, 2022.
o que mais você precisa saber
Para acompanhar outros acontecimentos importantes:
⚖️ Justiça: Congresso derruba veto de Lula e reduz penas de condenados pelo 8 de Janeiro — A maioria do Congresso derrubou o veto presidencial ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, beneficiando entre os réus o ex-presidente Bolsonaro. A base governista ameaça questionar a lei no STF, mas a revisão não é automática; cada condenado precisa entrar com pedido individual. Um dos temas que vai atravessar a campanha eleitoral de 2026 com força.
🌿 Meio Ambiente: Destruição da Caatinga pode desertificar o Brasil, alerta Ministério — O único bioma exclusivamente brasileiro enfrenta processo acelerado de degradação do solo que ameaça transformar partes do Nordeste e Centro-Oeste em regiões desérticas. O ministro do Meio Ambiente acionou o alerta enquanto o Congresso ainda delibera sobre projetos do “Pacote da Destruição” que enfraquecem o licenciamento ambiental. O mesmo Congresso que você elege em outubro.
🚀 Ciência: Senado aprova criação da Universidade Federal Indígena — O projeto que cria a primeira universidade federal voltada especificamente para populações indígenas foi aprovado no Senado e segue para sanção. A medida não muda de imediato a realidade de quem ainda enfrenta barreiras de acesso ao ensino superior, mas abre precedente institucional que pode levar décadas para ser desfeito.
ação:
Elas no Poder
O texto da Marjorie Lynn identifica com precisão onde o problema começa: não é ausência, é deslocamento. Mulheres que organizam a comunidade, constroem redes e sustentam a vida coletiva no dia a dia — e que, na hora de traduzir esse acúmulo em mandato ou em espaço formal de decisão, encontram uma barreira de entrada que o engajamento sozinho não resolve. Faltam tempo, renda, redes, formação em política institucional e, muitas vezes, alguém que diga com método e estrutura: você pode disputar esse lugar.
A Elas no Poder existe exatamente nesse ponto de virada.
o que é na prática
A Elas no Poder é uma organização brasileira sem fins lucrativos que atua, desde 2018, para transformar a democracia a partir da participação ativa de meninas e mulheres — em toda sua diversidade — nos espaços de decisão. Sua teoria de mudança se apoia em três pilares: formação política, advocacy e comunicação como amplificadora de autoridade.
Na frente de formação, a ONG desenvolve programas que fortalecem autonomia, liderança e protagonismo político de adolescentes e mulheres em vulnerabilidade social. Entre as iniciativas estão:
Meninas Cidadãs — projeto nacional em oito municípios, em parceria com o UNICEF, que prepara adolescentes para se reconhecerem como líderes e agentes de transformação social.
Elas na Escola — formação voltada a meninas negras de escolas públicas, com foco em autoestima, cidadania, história afro-brasileira e participação política.
Plataforma Im.Pulsa — trilhas formativas sobre cidadania, democracia e lideranças femininas, disponíveis online para toda a América Latina.
As formações combinam encontros presenciais, rodas de diálogo, metodologias interseccionais e espaços de cuidado, conectando o aprendizado à realidade de cada território.
Na frente de advocacy, a Elas no Poder incide sobre regras eleitorais, práticas partidárias e políticas públicas relacionadas a paridade de gênero no Legislativo, enfrentamento à violência política, financiamento justo para candidaturas femininas e negras, políticas de cuidado e participação da sociedade civil em decisões públicas.
E, na frente de comunicação, usa redes e imprensa para disputar narrativa: só em 2024, o Instagram da organização alcançou 1,4 milhão de pessoas, com mais de 655 mil impactadas em colaborações com outras organizações e influenciadoras — conteúdos sobre representatividade, direitos das mulheres e democracia chegaram a veículos como Folha de S.Paulo e Exame.
por que importa agora
A edição inteira fala de mulheres que já fazem política — na escola, na associação de bairro, na organização comunitária — e que raramente são reconhecidas como tais. É exatamente esse “paradoxo da presença sem poder” que a Elas no Poder tenta romper: ampliar a noção de quem é sujeito político, ao mesmo tempo em que abre caminho para que essas lideranças cheguem a conselhos, câmaras, assembleias e espaços institucionais de decisão.
Às vésperas de uma eleição geral, o impacto disso é direto: cada menina que passa pelo Meninas Cidadãs, cada mulher que se forma na Im.Pulsa ou no Elas na Escola amplia a base de quem se vê autorizado a opinar, cobrar, votar com informação — e, quando fizer sentido, disputar mandato. Não resolve sozinha os números de sub-representação feminina, mas muda a linha de partida.
como participar
Se você é adolescente ou educadora, fique de olho nas chamadas dos programas Meninas Cidadãs e Elas na Escola em elasnopoder.org — escolas, organizações e coletivos podem se inscrever para receber as formações no próprio território.
Se você é mulher e quer se fortalecer politicamente, com ou sem eleição no horizonte, a plataforma Im.Pulsa (acessível pelo site da Elas no Poder) reúne trilhas sobre cidadania, democracia e lideranças femininas, em português e espanhol.
Se você quer apoiar o trabalho, o site da organização traz caminhos para doar, ser voluntária ou fechar parcerias institucionais — inclusive para levar as formações a novas cidades.
E, para acompanhar tudo de perto, siga @elasnopoderbr nas redes.
outras ações inspiradoras
Agência Patrícia Galvão: Organização feminista que, desde 2001, articula dados, mídia e direitos das mulheres para qualificar o debate público sobre violência, participação política e trabalho. Produz dossiês, pesquisas de opinião e guias para jornalistas sobre temas como feminicídio, assédio no trabalho e saúde sexual e reprodutiva — porque reconhecer as lideranças femininas também passa por como elas aparecem (ou não) nas manchetes.
Plataforma Alas: Iniciativa dedicada a formar e apoiar lideranças negras de origem periférica para chegarem a espaços de decisão, com três frentes complementares: despertar vocações, apoiar trajetórias de formação de alta exigência (como carreiras jurídicas) e operar editais como o Elas Periféricas e o Caminhos. É uma espécie de infraestrutura de fundo para o que esta edição discute: transformar presença em poder, garantindo que as pessoas que já sustentam a vida coletiva possam disputar também os lugares onde as regras são escritas.
💡 Descubra como participar diretamente dessas iniciativas acessando os sites das organizações.
Ao longo desta edição, a mesma cena se repetiu em campos diferentes: uma mulher em casa, numa associação de bairro, numa escola pública, numa rede de trabalhadoras domésticas, num projeto de formação política. Em cada um desses lugares, há alguém organizando gente, segurando conflito, inventando soluções, mas que raramente aparece quando pensamos em “quem está na política”.
O que a Nina Horikawa faz com as cenas banais, mostrar que um gesto de afeto também pode carregar tensão, que um silêncio pode estar cheio de coisa não dita, é um pouco do que Marjorie Lynn propõe para o nosso olhar sobre participação política: sair da superfície, desconfiar do que parece neutro, perguntar quem está agindo fora do quadro oficial. Reconhecer essas lideranças não é um exercício abstrato de valorização; é o primeiro passo para que programas como os da Elas no Poder, da Plataforma Alas ou de organizações de base consigam transformar presença em poder institucional.
Se algo desta edição ficar com você, que seja a disposição de fazer duas coisas ao mesmo tempo: prestar mais atenção nas mulheres que já lideram o seu entorno — na escola, na rua, na igreja, no trampo — e, a partir delas, cobrar que os espaços de decisão reflitam quem de fato sustenta a vida coletiva. Entre hoje e outubro, perguntar quem está na lista de candidaturas, como chegou lá, que mulheres do seu território poderiam estar, e apoiar quem está construindo esses caminhos, talvez seja a forma mais concreta de não aceitar que “falta de mulheres na política” continue sendo tratada como um detalhe inevitável, e não como uma escolha que dá para virar.
Até mês que vem 💙




